Uma profusão de pensamentos alheios


15/07/2012


Somos o que está por vir


 

Numa dessas tardes escaldantes de Teresina, qualquer teresinense sabe do que estou falando, decidi abandonar o conforto do quarto para ir ao centro fazer uma inspeção nas lojas de calçados da cidade. Melhor, fui garantir alguns elogios com os novos calçados coloridos. Algumas mulheres consomem por vaidade, e me reservo o direito de questionar: e daí? Ao longo do trajeto, na rua, muitas jovens segurando bebês com aquele inconfundível carinho de mãe... Ao chegar na loja, mais jovens administrando os passos de bebês maravilhados com  a amplidão do espaço.

Na volta, encontro agora uma conhecida grávida, casada e bem humorada. " É a vida _ risos_ estou com o meu barrigão e da outra vez que nos virmos, você vai ver o presente que a vida me deu". Eu pensei: "Que presente a vida pode nos dar, senão o punhado de implicações para as ações que fazemos?"... Desde quando ter um filho é presente? Um bebê é outro ser humano pronto para crescer. Dar vida a outra vida não é um presente da vida é uma situação esperada, sem surpresa, uma situação antiquíssima e sem grandes novidades. 

Penso que muita gente confunde o papel da maternidade com mais uma brincadeira de criança, como brincar de casinha. Fico triste quando jovens engravidam e acham o máximo, quando nem ao menos amadurecem suas ideias para cuidar mais seriamente de uma outra vida que não é nenhum presente, mas uma consequencia que exige uma responsabilidade acentuada. Jovens grávidas me entristecem, porque a juventude é uma corrida de dois passos.

Ser mãe é a tarefa mais complicada e cruel que apenas o amor pode compensar... Em tempos de comunicação digital, tecnologia avançada, amplo mercado de trabalho (pelo menos no Brasil) , igualdade de gênero (pelo menos mais direitos para as mulheres no ocidente), desenvolvimento científico, cultural, etc, ser mãe e ainda ser uma jovem mãe significa atraso de vida. Num destes filmes franceses de perder o fôlego ouvi de um personagem: "É preciso ter uma ótima concepção de si mesmo para querer se multiplicar..." Fiquei com a frase na mente.

Há quem discorde. Ok. Há quem ache o máximo receber esse presente da vida... De fato, nunca me passou pela cabeça ser mãe. Gosto tanto da minha "liberdade" que morreria se tivesse de dividi-la com alguém. Sim, pode ser egoismo, mesmo... Mulheres não podem se reduzir ao cargo de mãe. O mundo não precisa de mães, precisa, isto sim, de jovens que possam parir o futuro com louvor: realizando pesquisas, buscando aprender conteúdos e serviços de utilidade pública.  Ser mulher não significava ser mãe... E o que somos? Somos seres em construção. O que somos está por vir.

Escrito por Paula Pires às 01h01
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