Uma profusão de pensamentos alheios


18/06/2011


Uma luta sem armas 

 

No dia 12 de maio, grande parte dos professores da Universidade Estadual do Piauí decidiram paralisar suas atividades devido às péssimas condições oferecidas aos usuários da instituição: salas inadequadas ou inexistentes, espaços mal estruturados, baixíssimos salários, ausência de estímulos aos estudantes, como a falta de residência estudantil, bibliotecas convenientes, restaurante universitário, apoio à pesquisa, programas que possibilitem trocas de conhecimento. Estes são alguns dos problemas percebidos no campus Torquato Neto, instalado no bairro Pirajá, em Teresina. No interior do Piauí a situação é bem pior. 

A UESPI atua com 16 campi e 25 núcleos universitários em todo o estado e, em alguns municípios, prédios estão completamente arruinados, outros foram interditados, como é o caso do campus no município de Picos, localizado no sudeste do estado.

A greve ganhou repercussão e notoriedade no twitter, quando professores e alunos decidiram expor suas agruras no microblog (hoje, uma das maiores redes sociais colaborativas da internet). 

Muitas são as tentativas dos funcionários e alunos da UESPI de sensibilizar o governo para a resolução dos problemas que comprometem a qualidade do ensino oferecido pela instituição. Com o olhar de quem não quer ver, o governador se nega a dialogar com o corpo docente e discente da universidade.   

Não sou aluna da UESPI, mas agora visito a instituição para tentar aproveitar um pouco da energia dos fortes que lutam e persistem na tentativa de melhorar-lhe o desempenho. Eles não lutam para transformar a UESPI numa OXFORD cabocla; querem apenas aquilo que um governo responsável e comprometido tem obrigação de propiciar-lhes: o básico, o mínimo para que possam trabalhar, estudar e pesquisar dignamente.  

Não é justo tratar a educação desta forma. Para milhares de jovens, a UESPI é a única porta para alcançar o conhecimento e ascender no mundo acadêmico. Na realidade, muitos são os que apostam todos os seus esforços numa educação de qualidade e numa oportunidade de vida melhor.

A UESPI surgiu num contexto político leviano: para os governantes da época, a prioridade era mostrar sua pujança, o seu gigantismo e não a excelência no ensino que deveria oferecer. Ainda assim, a instituição existe e tem prestado relevantes serviços ao Piauí. Nenhum gestor responsável pode ignorá-la sob a alegação de que “o problema é do governo anterior”. Educação deve ser tratada como política de estado e não como simples programa de governo. Lutar pela UESPI não é indisciplina ou rebeldia; é uma atitude cidadã que deve estar acima da politicalha que, infelizmente, ainda norteia a conduta de muitos governantes.

Escrito por Paula Pires às 12h06
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