Uma profusão de pensamentos alheios


08/03/2011


Mais um dia internacional da mulher


Este ano, as comemorações do Dia Internacional da Mulher (8 de março) foram ofuscadas pelo som dos tambores, surdos, cuícas e, principalmente, pela profusão de luzes e imagens que dão vida ao carnaval. Este não é, contudo, o único ponto negativo do dia. Na Líbia, onde manifestantes e a força de fiéis ao ditador Muammar Gaddafi travam intensos combates, o dia é apenas mais um em meio a um conflito que impõe sofrimentos a todos, notadamente às crianças, às mulheres e aos idosos.

Seria ingenuidade achar que, por sermos ocidentais, "civilizados e amantes da democracia", podemos impor nossa cultura aos ‘primitivos’ orientais, presos a um fundamentalismo autoritário. Lá, como aqui, existe ódio, medo, violência e intolerância. A mulher, por exemplo, continua a sofrer discriminações de todo tipo, notadamente as de ordem econômica, inaceitáveis num mundo que se quer moderno.

Parece que estamos voltando ao século XIX e precisamos mais do que nunca estampar em todos os lugares que somos e fazemos parte da vida econômica, social, política, cultural e estética do país. É evidente que somos e fazemos parte de tudo que lembre modernidade. Talvez o que esteja faltando sejam os créditos. Mesmo entre nós, quantos  homens teriam  coragem de revelar aos amigos que suas mulheres os tornaram mais sensíveis, inteligentes e perspicazes? Não, o que se costuma escutar é: "minha mulher é linda". Ninguém se apaixona pela beleza; beleza deveria ser um complemento. E isso até parece óbvio, mas não é. Muitos homens não revelam que suas amigas, namoradas e mulheres os tornaram melhores. Apenas justificam uma preferência estética.

E quais são as implicações disso? Mulheres se tornam cada vez mais machistas, procurando na beleza a única forma de afirmação, ou seja, comportam-se como homens. E espero estar enganada, mas isso acaba gerando um círculo vicioso: "somos assim porque  nos querem assim", ou seja, vale para os dois sexos. Sem se dar conta, as mulheres tornam-se  patricinhas, egocêntricas, ciumentas e invejosas, prontas para alimentar o mercado da vaidade e do consumismo. Por favor, nada contra mulheres bem vestidas e vaidosas, mas acho que mais do que um belo corpo sob em um vestido maravilhoso deveria existir uma mulher consciente do seu papel na construção de um mundo melhor.

 

Escrito por Paula Pires às 19h24
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